quarta-feira, 13 de abril de 2011

DIAGNÓSTICO INSTITUCIONAL

Para iniciar o trabalho de psicopedagogia, o primeiro passo fundamental diz respeito ao conhecimento da estrutura física da escola e dos relacionamentos que se estabelecem em seu funcionamento, o diagnóstico institucional. Esta investigação tem como objetivo levantar um conjunto de dados que permirá a elaboração de hipóteses que ajudarão a delinear o perfil da instituição de ensino investigada.

Para a realização do levantamento desses dados, é pertinente envolver alunos, educadores e demais funcionários da instituição, bem como observar o seu espaço físico. Para isso, segue uma sequência de procedimentos.

1 - Perfil da escola
2 - Questionário para o diretor
3 - Questionário para o supervisor
4 - Questionário para o professor
5 - Questionário para os alunos
6 - Questionário para os pais
7 - Questionário para os demais funcionários da escola
8 - Observações
9 - Reuniões

A coleta de dados por meio de questões abertas em questionários torna possível identificar dados relevantes da realidade escolar, a partir dos quais se fará o levantamento das necessidades no que diz respeito às relações e interações que se estabelecem na escola e na família. Além disso, oferece abertura para que os professores possam revelar o modo como trabalham, recursos e métodos utilizados em sala de aula e as necessidades em termos de estrutura oferecida para o desenvolvimento de projetos. As informações obtidas através dos questionários que serão direcionados aos demais funcionários da escola têm uma importância muito relevante no sentido de agregar valor ao diagnóstico pretendido.

As observações possibilitam a identificação de contradições do que se fala e do que realmente é. As discussões, estudos e conscientização com ênfase no serviço psicopedagógico e demais problemáticas que envolvem a escola, são fundamentais neste processo de identificação do seu perfil e da elaboração de uma posterior proposta de trabalho psicopedagógico. Destacar o foco da psicopedagogia, bem como seus objetivos, atribuições, atuação e a proposta de trabalho inicial é imprescindível, pois dá aos professores a liberdade de fazer questionamentos e esclarecer as dúvidas acerca deste novo serviço que está sendo disponibilizado na escola.

Este é o ponto de partida para explorar a próxima etapa do trabalho que trará as principais considerações acerca de uma intervenção psicopedagógica. Convém salientar que esta conclusão não significa apresentar uma ideia final e fechada. Em vez disso, representa abrir as portas para a continuidade de um percurso, cuja pretensão maior é exatamente não chegar a um fim. É fazer com que cada intervenção disponibilize elementos contínuos e que, frente a cada ameaça de comodismo, atuem como impulso pra uma nova ressignificação.

terça-feira, 12 de abril de 2011

PROPOSTA PSICOPEDAGÓGICA

Em julho de 2010 me tornei servidora pública, assumindo o cargo de Psicopedagoga no estado de Rondônia. Desde então, muitas foram as dificuldades encontradas, primeiramente por não haver trabalho efetivo na área e, também, por não haver uma proposta a ser desenvolvida. É evidente que em toda atuação encontraremos limites e possibilidade e o grande desafio, é exatamente conseguir SER apesar de tudo. Na busca por uma identidade profissional, tive o cuidado de apresentar para toda a comunidade escolar o foco do meu trabalho, bem como as minhas atribuições na escola, delimitando esta área de atuação que ainda não é muito conhecida. Mas mesmo com todo esse cuidado, enfrentei muita dificuldade por tudo o que temos vivido no contexto educativo brasileiro. Frente a todos os problemas que existem, as pessoas que fazem parte da escola sempre esperam que alguém virá para solucionar todos os problemas, como se fosse um conto de fadas que, com suas poderosas varinhas de condão, transformam tudo. Mas no fundo sabemos que não é tão simples assim. Todos nós temos uma responsabilidade particular em modificar a situação da qual fazemos parte, mas nem todos tem essa consciência. Em razão de todas as angústias enfrentadas por mim, me preocupei em estudar bastante e elaborar uma proposta de trabalho que pudesse contribuir para que eu não entrasse em desvio de função. E essa também foi uma grande angústia, porque apresentar uma proposta de trabalho significa oferecer condições para que ele se concretize, ou seja, uma imensa responsabilidade. No fundo o meu desejo era de levar as pessoas a refletirem o processo educativo em toda a sua totalidade, levando em consideração que vivemos em uma sociedade dinâmica, instável e em constante evolução. Para isso, seria necessário que, a cada passo dado, houvesse uma base teórica ampla e sólida para sustentar as práticas que deveriam ser posteriormente desenvolvidas na escola, e isso exigiria muita dedicação e esforço de minha parte. Graças a Deus eu me disponibilizei. A impressão que eu tenho é que os cursos de especialização não oferecem essa base tão necessária. É tudo muito superficial. Talvez seja uma impressão só minha. Não sei. Penso que o que faz a diferença mesmo é o empenho de cada um em buscar novas possibilidades e aproveitar os profissionais que certamente poderão indicar os melhores caminhos a se percorrer para alcançar os objetivos. No meu caso, quando me especializei, não aproveitei os meus professores como eu poderia, certamente porque na época eu trabalhava os três turnos e o meu trabalho não tinha muito a ver com a Psicopedagogia. Na verdade eu fiz a Pós-graduação por fazer e confesso que nunca imaginei que fosse atuar na área. Hoje posso dizer com toda a segurança que praticamente tudo o que eu aprendi, aprendi pela necessidade. Tudo isso teve um resultado que foi a proposta que apresentei para escola que eu trabalho e que gostaria de compartilhar com quem se interessar através deste espaço. Espero contribuir!

segunda-feira, 14 de março de 2011

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011


A campanha da fraternidade em todos os anos propõe a evangelização voltada para a conversão pessoal e comunitária, visando preparar toda a humanidade para a Páscoa. O principal objetivo desta campanha é desenvolver a missão que Jesus Cristo nos deixou, a de evangelizar. Isso envolve a renovação pessoal do cristão em busca da solidariedade verdadeira e do bem comum e, mais ainda, a renovação da consciência da responsabilidade de todos no que se refere à construção de uma humanidade mais justa e solidária. Neste ano, somos chamados a refletir sobre o meio ambiente e as causas e consequências de tudo o que tem ocorrido no planeta através do tema “Fraternidade e Vida no Planeta”. Que esta quaresma nos inspire novas atitudes e que o espirito Santo de Deus possa nos fortalecer para que sejamos sinceros e autênticos filhos de Deus. Que possamos nos lembrar, acima de tudo, que o pecado advém da decisão humana. É tempo de conversão profunda que mude atitudes e costumes. É tempo de oração. É tempo de entusiasmo e boa vontade. É tempo de produção de efeitos positivos. É tempo de enfrentar com Jesus as grandes tentações que são colocadas diante de nós dia a dia. Se cada um fizer a sua parte certamente poderemos experimentar um futuro melhor. Para os cristãos e para todos que tenham boa vontade, que a reflexão realizada neste período sirva para alertar e evidenciar a influência das nossas ações tanto no sentido de ajudar a salvar o planeta quanto de prejudicar. Quem sabe, mudando de atitude, os gemidos de dor possam ser transformados em gemidos de amor e de esperança.

sexta-feira, 4 de março de 2011

QUE OUTRAS COISAS PRECISAMOS APRENDER?


Tenho a ousadia de iniciar esse texto dizendo que a decisão mais importante que temos para tomar na vida é a de aprender, mas... APRENDER O QUÊ?


Desde que nascemos muito é esperado de nós por nossa família que é o primeiro grupo social com o qual fixamos contato. À medida que esse contato vai se expandindo, ainda crianças, somos condicionados a entender que a sociedade espera de nós aquilo que deveríamos ser de acordo com padrões preestabelecidos. Desde muito cedo nos ensinam que na vida existem coisas que “podemos fazer” e coisas que “devemos fazer”. O que queremos, é uma outra história! Assim, todos nós sofremos a mesma pressão para entrar nos moldes sociais, o que nos leva automaticamente a uma submissão. Dessa forma, nos colocamos numa posição aparentemente muito confortável, porque a mesma sociedade que nos força a seguir esses padrões, é a que nos protege e nos faz sentir como parte de um todo estruturado e em perfeito funcionamento. Daí vem a dependência do social e do que ele impõe, que gera um grande conforto. O conforto de simplesmente pertencer a um grupo e de ser aceito por ele. É por isso que quando refletimos sobre a nossa vida, e o grupo social com o qual estabelecemos convívio, não encontramos contradição alguma na relação submissão/libertação. Embora, na maioria das vezes, seja fundamental se libertar. Como é difícil! Ter que refletir sobre até que ponto as escolhas que fazemos para as nossas vidas e as pessoas com as quais escolhemos conviver são positivas ou negativas, mexe muito conosco e nos faz alterar a nossa posição em relação ao que esperam de nós. Esta é a razão pela qual deixamos de ter domínio sobre a nossa própria vida e, quase sempre, nos deixamos influenciar e vamos nos conformando, mesmo sem entender nada. Nesse contexto, muitos creem que se o que se vive não é muito bom, vai passar e tudo se resolverá um dia. Outros acreditam que não passam de coisas que acontecem na vida. E assim, uns adoram o que vivem, outros detestam. Uns sem crítica, outros sem visão. Mas todos vivendo das mais variadas formas: tensos, estressados, alegres, tristes, angustiados, otimistas, fracassados... as reações são particulares, inexplicáveis e surpreendentes. O tempo não para, e somos convidados a mudar. Para uns, o convite a mudança funciona como estímulo, para outros funciona como provocação. Há aqueles que preferem se mobilizar diante do convite. O que eu quero dizer com tudo isso é que existem duas verdades que quando aprendidas e colocadas em prática, tornam a vida muito melhor e muito mais interessante. Essas verdades não costumam fazer parte dos moldes predeterminados, portanto, nem sempre somos levados a aprendê-las ou, quando somos, não nos disponibilizamos o quanto deveríamos. A primeira verdade diz respeito às situações difíceis (quando encaradas como oportunidades únicas para crescer com maturidade). A segunda verdade se refere a semear sonhos para colher esperanças. Todas as pessoas estão sujeitas a passar por crises das mais diversas ordens. Seja financeira, emocional, de relacionamento, em família... O que precisamos entender bem é que as situações difíceis não avisam quando vão ocorrer e que elas podem envolver grandes perigos assim como grandes oportunidades. Tudo vai depender do ponto de vista! É inegável que quando ocorrem geram instabilidade, medo, insegurança, mas nunca devemos esquecer o mais importante: o crescimento pessoal que elas nos proporcionam. Aproveite e reflita: "Qual tem sido a sua atitude diante das situações difíceis?" Muitas pessoas fogem através do isolamento, da amargura, dos vícios, dos prazeres e, com isso, desperdiçam a valiosa oportunidade de crescer. Existem pessoas que escolhem suportar, sem tirar qualquer proveito da situação, ou seja, resistem com as próprias forças e acabam esgotadas, sem ânimo e sem alegria de viver. É como se elas suportassem os problemas sem crer que há solução para eles. E existem também as pessoas que aproveitam as crises para aprender, enfrentam tudo com a força que vem de Deus e tiram todo o proveito das adversidades. Falando da outra verdade, é essencial entendermos que os sonhos tem o poder de nos manter vivos de verdade. Não seria difícil perceber que muitos por aí andam mortos e sem atestado de óbito (sem morrer). As pessoas que possuem projetos, objetivos ou metas encaram os desafios da vida com mais vigor. Aproveite agora e pare pra pensar em qual tem sido o seu projeto de vida. Quais são seu planos e objetivos? Viver sem metas pode se transformar em sinônimo de medo, comodismo, autoimagem negativa de si mesmo ou uma cegueira situacional. Ter muitos anos de vida não significa ter maturidade. Precisamos ter visão espiritual. A visão é uma das coisas mais extraordinária que Deus nos deu. Quando desenvolvemos a habilidade de enxergar tudo sob a ótica D’Ele, diminuímos o nosso desespero, pois enxergamos os seus propósitos que sempre são perfeitos e agradáveis. Além disso, precisamos aprender a confiar em Deus. Este é o grande desafio, porque exige de nós espera. E como temos dificuldade em esperar! Esse talvez seja o verbo mais difícil de se viver. Sempre achamos que já esperamos demais e nos sentimos cansados, esgotados e sem forças, porque já nos cansamos de esperar por transformações que nunca ocorrem, de esperar por sonhos que nunca se realizam e por uma felicidade que nunca chega. Honestamente, é assim que a maior parte das pessoas se sentem neste momento. E é esta a oportunidade de voltar os olhos para Deus, pois é Ele que tem o poder de mudar a nossa história. Somente Ele pode transformar nossa tristeza em alegria, nosso choro em sorriso e tudo o mais que nem imaginamos. Deus realiza, mas o tempo D'Ele é outro.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

DESAFIO


Nos dias de hoje é possível perceber a quantidade de questionamentos em relação à qualidade do ensino que tem sido ofertado nas escolas brasileiras, e a grave situação social que tem potencializado de modo assustador as dificuldades de aprendizagem, a evasão escolar e a defasagem que os alunos apresentam no desenvolvimento cognitivo. Embora crianças e jovens da atualidade apresentem prejuízos evidentes no desempenho escolar e social, a sociedade não pode responsabilizar unicamente o professor por esta situação. O problema do fracasso escolar, evidentemente, não está baseado apenas em uma única causa. Apesar da sociedade já ter percebido isso, em geral, o professor não é valorizado por ser considerado ruim e responsável por todos os problemas educacionais. Por outro lado, o profissional não se disponibiliza a assumir verdadeiramente suas responsabilidades, porque não se sente valorizado pela sociedade. Será um ciclo vicioso? Eu acredito que sim, e para que essas responsabilidades sejam assumidas, é preciso união, de ambas as partes. O processo educativo exige solidariedade e cooperação e nesse contexto, especialmente na escola, o trabalho coletivo representa uma grande possibilidade de mudança. Portanto, professor, quando pensares em transformação, independente das circunstâncias, não se preocupe apenas com a sua competência que possivelmente estará sempre aquém do que a verdadeira transformação necessita, mas mantenha uma relação de amor e entusiasmo com seus alunos e com seu trabalho. Este é o ponto de partida para que a nossa dignidade seja recuperada.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O PRINCÍPIO DAS PEQUENAS DOSES

Ontem eu estava conversando com uma amiga pelo msn e caminhamos para um assunto que girava em torno das “pequenas doses”. Após um longo período de conversa, chegamos a conclusão que esta é uma ideia muito comum que se estabeleceu ao longo dos séculos. Porém, atualmente é tudo bem diferente e as pessoas pensam bem mais em seus próprios interesses. Nesse contexto egoísta, as pequenas doses, que deveriam ser grandes, tem gerado uma espécie de contentamento quando ocorrem, já que não podemos esperar muita coisa das pessoas. Quem já não disse ou ouviu dizer coisas do tipo: “Uma dose de amor não faz mal a ninguém”. E quem nunca ficou a espera de uma pequena dose, sabe-se lá do que, vinda de alguém que se considera especial. Eu e minha amiga falávamos sobre uma dose de carinho, de atenção, de solidariedade, de cooperação, etc. O que mais me admirou no percurso da conversa, foi a sinceridade dela em afirmar que as pequenas doses dessas coisas, podem ser extremamente nocivas assim como uma dose de veneno, por exemplo. Pensei comigo: A história do mundo está muito excitante mesmo – de um lado vemos e vivemos situações nunca havidas e esperadas, por outro lado temos a oportunidade de mudar fundamentalmente o modo como as coisas são feitas e, por que não, o modo como somos tratados. Mas não fazemos nada e, as vezes, até nos coformamos. Conversa vai, conversa vem... e posso dizer seguramente que o que ficou de mais importante, foi a certeza de que não temos que aceitar as coisas como elas estão, porque quem determina o que deve ser ou não, somos nós mesmos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

COMPLEXIDADE E SINGULARIDADE


A minha atuação como Psicopedagoga Institucional de uma escola da rede pública de ensino da cidade de Cacoal – RO tem me colocado diante de diversos desafios. Seguramente o maior deles trata-se da ausência de um histórico de trabalho efetivo na área por ser uma nova realidade para o serviço público deste estado. Apesar de décadas de existência, a identidade desta área de atuação não está ainda bem delimitada e por esta razão, não há clareza no que se refere às atribuições do Psicopedagogo Institucional. Mesmo em meio aos problemas de delimitação, há concordância de que é uma área que atua frente ás possíveis dificuldades que podem ser apresentadas por determinados alunos na construção do conhecimento. Embora, ao longo de sua existência, muito tenha sido publicado em livros e revistas especializadas, convém salientar que os estudos ainda não foram suficientes para uma clara delimitação e especificidade da área. Ainda que haja estes impasses, é seguramente possível falar do valor do Psicopedagogo, que consiste na preocupação em lidar com o aluno como sujeito que é movido tanto pelo desejo quanto pelo respeito, o que garante a sua singularidade. Por todas as razões expostas e por tantas outras, o principal desafio da Psicopedagogia além da sua definição, que é fator de embates entre profissionais da própria área e de outras áreas, consiste no desenvolvimento do trabalho diante do complexo cenário do homem do século XXI. Nesse sentido, não foi preciso muito tempo para que eu pudesse perceber a necessidade e a urgência de uma proposta de trabalho contendo instrumentos claros para o diagnóstico da realidade da escola no que se refere à estrutura e funcionamento, bem como as dinâmicas que envolvem o contexto de desenvolvimento dos alunos, visando superar os desafios apresentados nesta instituição de ensino. Tenho me confrontado diariamente com vários embates que se refere a fins, local adequado para o exercício, modalidades e recursos de atuação, e sentido na pele os limites e as possibilidades de desenvolvimento deste trabalho. Acima de tudo, tenho a consciência de que apresentar propostas significa oferecer condições para que o trabalho se concretize, por isso tenho me empenhado muito na reflexão do processo educativo em toda a sua totalidade, e tenho levado em consideração que vivemos em uma sociedade dinâmica, instável e em constante evolução, o que me faz entender que, a cada passo dado, é necessário haver uma base ampla e sólida para sustentar as práticas que deverão ser desenvolvidas na escola onde atuo. Eu sinceramente acredito na possibilidade de ofertar uma contribuição positiva para a superação das dificuldades que se fazem presentes nesta escola, através do meu trabalho. E sinto orgulho em poder dizer que este é o meu compromisso.